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    Argentina com Milei: inflação cai, Merval sobe e como investir em 2026

    O que mudou, o que ainda é frágil e como o investidor argentino pode buscar exposição global.

    Argentina com Milei: inflação cai, Merval sobe e como investir em 2026
    15 de maio de 2026·6 min de leitura

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    Por que a Argentina de repente voltou a parecer investível

    Dois anos atrás, a Argentina era o exemplo usado por investidores latino-americanos como alerta. A inflação rodava em 211% ao ano, o risco-país passava de 2,000 pontos-base, os controles de capital eram duros e o peso caía rápido. Com Javier Milei, esse quadro mudou o suficiente para exigir uma revisão séria. O país ainda carrega riscos óbvios, mas agora oferece uma narrativa macro que os investidores conseguem medir, em vez de simplesmente descartar.

    A mudança aparece nos números. A inflação anual caiu para cerca de 31%, o banco central fez compras líquidas de dólares e o FMI continuou liberando recursos. O Senado também aprovou a reforma trabalhista, enquanto o regime RIGI atraiu mais de 16 bilhões de dólares em investimentos comprometidos em nove projetos. Para um mercado que passou anos preso ao modo crise, isso representa uma mudança real de tom.

    O que o recorde histórico do Merval realmente diz

    O principal índice da Argentina, o Merval (ou ARGT), alcançou o recorde de 3,296,502 pontos em 28 de janeiro de 2026. Depois recuou para perto de 2,750,000, ainda muito acima do nível em que era negociado antes da alta. Em dólares, o padrão é parecido: o índice atingiu o pico de 2,453 dólares em dezembro de 2024 e depois caiu para cerca de 2,036 dólares.

    O sinal mais importante é a valuation. Com um preço sobre lucro futuro de 19.8x, o Merval é agora o benchmark mais caro da América Latina. O Ibovespa do Brasil negocia a 13.4x, o IPSA do Chile a 12x, o IPC do México a 15.9x e o COLCAP da Colômbia fica perto de 15x. Isso não quer dizer automaticamente que o mercado está esticado, mas indica que os investidores estão pagando caro por um futuro melhor.

    [1] The Rio Times

    É aí que as expectativas ficam perigosas. Se o ritmo das reformas desacelerar, a inflação parar de cair ou o carry trade desarmar, o mercado pode se reprecificar rapidamente. A Argentina já não está barata, e mercados caros punem a frustração mais rápido do que a esperança.

    A inflação caiu, mas ainda não foi vencida

    A queda da inflação na Argentina é uma das mudanças macro mais marcantes da região. Mas a história não terminou, e os números mensais importam tanto quanto a comparação anual. O IPC mensal chegou a 3.4% em março de 2026, o décimo mês seguido de aceleração, o que mostra que a estabilidade de preços ainda é frágil.

    O consenso do REM para 2026 inteiro é de 29.1%, um número bem melhor que o pico de 211%, mas ainda alto o suficiente para distorcer a poupança, as decisões de crédito e a construção da carteira. Investidores que acham que a batalha já foi vencida estão lendo a manchete e ignorando a tendência por baixo dela.

    Como funcionam os CEDEARs para investidores argentinos

    Os CEDEARs são uma das ferramentas mais úteis do mercado argentino. Um CEDEAR, ou Certificado de Depósito Argentino, é um certificado que representa uma fração de uma ação ou de um ETF estrangeiro. Ele é negociado localmente na BYMA em pesos ou dólares, o que permite ao investidor argentino ter exposição a Amazon (AMZN), Google (GOOG), MercadoLibre (MELI) ou até ao S&P 500 (VOO) sem abrir uma conta em uma corretora nos Estados Unidos.

    O apelo é simples. Se o peso enfraquecer, o preço em pesos do CEDEAR tende a subir porque o ativo subjacente é precificado em dólares. Isso faz dos CEDEARs uma proteção prática contra a desvalorização. Eles também resolvem um problema bem local: acesso. Em vez de lidar com transferências internacionais, abertura de conta e burocracia em inglês, você pode operar por meio de uma corretora argentina.

    Para muitos investidores de varejo, essa conveniência é exatamente o ponto central. Ela permite montar uma carteira atrelada ao dólar dentro do sistema local, com liquidação em 24 horas e amplo acesso a nomes estrangeiros. É um dos poucos instrumentos da região que combinam simplicidade com exposição internacional real.

    Quais CEDEARs fazem sentido em 2026?

    A melhor escolha de CEDEAR depende do que você quer. Empresas orientadas ao crescimento e ETFs amplos costumam fazer mais sentido para investidores argentinos do que ações com alto dividendo, especialmente porque os dividendos dos Estados Unidos sofrem retenção de 30% na fonte para residentes argentinos. Esse peso tributário importa menos quando o ativo reinveste ganhos do que quando distribui muito caixa.

    Por isso nomes como Nvidia costumam se encaixar melhor nas carteiras argentinas do que apostas puramente em dividendos. A mesma lógica vale para os CEDEARs de ETF como SPY ou QQQ. Eles dão ao investidor exposição diversificada ao mercado americano, mantendo o impacto tributário e a fricção operacional mais administráveis do que buscar rendimento em um mercado onde os dividendos são fortemente penalizados.

    Há mais de 250 empresas estrangeiras disponíveis como CEDEARs, além de várias estruturas de ETF. Esse cardápio dá ao investidor espaço para montar uma carteira em torno de temas, setores ou exposição ampla a índices. O ponto principal é não tratar todo CEDEAR como se fosse a mesma ferramenta. Alguns funcionam melhor como proteção cambial, outros para crescimento de longo prazo e outros apenas para liquidez.

    Onde os argentinos estão abrindo conta de fato

    O mercado local de corretoras amadureceu o suficiente para que investidores de varejo tenham opções reais. A IOL, ou InvertirOnline, atua há mais de 25 anos e oferece acesso a CEDEARs, ações argentinas, títulos públicos e fundos de investimento. Ela também divulga mínimos baixos, o que facilita para quem está começando a investir sem precisar juntar um saldo grande antes.

    A Balanz é outro nome importante, com acesso a CEDEARs, CEDEARs de ETF e pacotes temáticos ligados a temas como inteligência artificial, 5G, commodities e ações de valor. A empresa também atua como formadora de mercado nos principais CEDEARs, o que ajuda a manter spreads razoáveis. Para um investidor ativo, isso pode importar tanto quanto a lista de produtos.

    As duas plataformas permitem operar em pesos ou dólares e liquidar rápido. Isso é útil em um país onde o timing ainda importa e a moeda local pode se mover mais rápido do que a maioria das carteiras consegue absorver. A escolha da corretora tem menos a ver com encontrar uma plataforma perfeita e mais com encontrar uma que combine com sua disciplina.

    O problema fiscal e de retenção que os investidores não podem ignorar

    A Argentina não tem um tratado tributário amplo com os Estados Unidos, e isso cria uma dor de cabeça conhecida para os investidores locais. Os dividendos pagos por empresas americanas a residentes argentinos sofrem retenção de 30% na fonte, e o formulário W-8BEN não reduz essa alíquota. O resultado prático é simples: estratégias focadas em dividendos perdem mais em impostos antes que o dinheiro chegue ao investidor.

    Também existe uma obrigação fiscal argentina separada sobre renda de fonte externa. Dividendos e ganhos de capital devem ser declarados como parte da renda mundial, e a retenção nos Estados Unidos pode ser compensada contra a obrigação local se a documentação estiver em ordem. Isso torna o registro mais importante do que muitos iniciantes esperam, porque o custo tributário não é só uma questão de alíquota, mas também de documentação.

    Quais são os principais riscos agora

    O primeiro risco é a inflação voltar a acelerar. O IPC mensal subiu por dez meses seguidos, o que significa que a história de desinflação ainda é vulnerável. Se o banco central mantiver juros altos para atrair dinheiro de carry trade, a moeda pode ficar cara e o crescimento pode desacelerar. Se cortar os juros rápido demais, o capital pode sair e as reservas podem ficar sob pressão.

    O segundo risco é a valuation. O Merval é o benchmark mais caro da América Latina, e isso deixa pouco espaço para lucros fracos ou decepção nas políticas públicas. A queda de 17% desde o topo de janeiro pode fazer parte de uma reprecificação mais ampla, e não apenas de uma pausa curta. Os investidores precisam aceitar que um ambiente macro melhor não apaga a possibilidade de quedas grandes.

    O terceiro risco é político. A aprovação de Milei segue frágil, e a agenda de reformas depende de apoio no Congresso que pode mudar depois das eleições de meio de mandato de 2027. Se a continuidade da política enfraquecer, a recomposição de reservas, a fila do RIGI e o carry trade podem ficar pressionados ao mesmo tempo. Na Argentina, a política ainda move os mercados.

    Como investir da Argentina sem ignorar a realidade

    A melhor leitura do momento argentino não é que o país ficou seguro. É que agora existem mais instrumentos para participar sem depender totalmente do peso nem do humor político de cada semana. Para um investidor de varejo, isso significa usar CEDEARs e corretoras locais com uma lógica clara: exposição global, controle de risco e zero romantismo com a macro.

    Para a maioria dos investidores de varejo, a melhor estratégia é a diversificação, o dimensionamento das posições e a paciência. A Argentina oferece hoje mais formas de investir do que durante os piores anos de controles de capital e inflação descontrolada. Esse progresso é real. O desafio é aproveitá-lo sem confundir melhora com segurança.

    Aviso legal: Educação, não aconselhamento. Resultados passados não garantem retornos futuros. Investir sempre envolve riscos.

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