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    O ouro passou de US$ 5.000 e depois caiu. Vale investir na América Latina?

    O que investidores latino-americanos devem avaliar antes de comprar ouro após a correção.

    O ouro passou de US$ 5.000 e depois caiu. Vale investir na América Latina?
    15 de maio de 2026·6 min de leitura

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    Por que o ouro mudou a conversa

    O ouro alcançou um nível que poucos investidores imaginavam possível no começo de 2026. Em janeiro, ultrapassou US$ 5.400 por onça pela primeira vez depois de subir 55% em 2025, enquanto a prata avançou 135% no mesmo período. Os bancos centrais seguiram comprando em ritmo forte, com 244 toneladas adicionadas só no primeiro trimestre de 2026, a maior velocidade em mais de um ano.

    Depois, o metal recuou cerca de 16% e passou a ser negociado mais perto de US$ 4.750. Um dólar americano mais forte após o choque do petróleo na guerra entre Irã e abril com inflação nos Estados Unidos em 3,8%, junto com a desmontagem de posições esticadas pelos traders, ajudou a provocar a queda. Esse movimento mudou o debate: a questão deixou de ser se o ouro pode continuar subindo e passou a ser se o recuo recente oferece um ponto de entrada melhor para os investidores.

    O que ainda sustenta o ouro em 2026?

    Três forças mantêm o ouro elevado. A primeira é a compra dos bancos centrais. Os bancos centrais compraram 863 toneladas em 2025 e outras 244 toneladas no primeiro trimestre de 2026, o que parece menos uma operação de curto prazo e mais uma mudança estrutural. Desde que as reservas da Rússia foram congeladas em 2022, mais países passaram a querer um ativo fora do sistema do dólar.
    A segunda força é a geopolítica. A guerra entre Estados Unidos e Irã e a interrupção no Estreito de Ormuz mantiveram os preços do petróleo altos o suficiente para pressionar a inflação e adiar as expectativas de cortes do Federal Reserve. Quando a inflação continua resistente e o afrouxamento monetário é postergado, o ouro tende a manter um prêmio de risco geopolítico.
    A terceira é a avaliação. O índice CAPE do S&P 500 está perto de 40, um nível visto apenas no pico da bolha das pontocom e em 1929. Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos de longo prazo também sofreram em um período de inflação persistente. Nesse cenário, o ouro virou substituto da parcela de bonds em muitas carteiras institucionais.

    Por que investidores da América Latina devem prestar atenção extra

    Essa história importa mais na América Latina do que em outras regiões porque a região já convive com exposição a metais. O México é o maior produtor de prata do mundo. O Peru é o segundo em prata e segue como grande produtor de ouro. O Chile produz cobre e ouro, enquanto a Argentina vem ampliando suas operações de ouro. Para o investidor local, o ouro não é uma classe de ativo distante. Ele afeta os lucros das empresas, a arrecadação pública e o desempenho das moedas.

    O rali já apareceu nas ações de mineração. A Peñoles subiu cerca de 130% no último ano, impulsionada pelo ciclo dos metais. Se você tem mineradoras, fundos amplos de ações da América Latina ou até ações locais em mercados ricos em recursos, já pode ter bastante exposição indireta ao ouro sem perceber.

    As moedas também importam. O peso chileno costuma se mover com o cobre, o sol peruano tem relação com o cobre e o ouro, e o peso mexicano há anos mostra sensibilidade à prata. Isso significa que um investidor latino-americano pode receber uma espécie de proteção natural da própria moeda local. Adicionar mais ouro por cima disso pode ajudar, mas também pode gerar sobreposição se a carteira já estiver cheia de ativos ligados a metais.

    Quanto de exposição ao ouro você já tem?

    Uma forma melhor de pensar no ouro é em camadas. A primeira camada é a sua moeda, que talvez já se mova com os metais. A segunda é a sua carteira de ações, especialmente se você possui mineradoras ou ETFs ETFs regionais amplos com forte exposição a recursos naturais. A terceira é o ouro direto por meio de ETFs, barras físicas ou instrumentos do mercado local.

    Esse quadro importa porque o ouro direto só merece espaço se acrescentar algo que sua carteira atual não tem. Se o seu mercado local, a sua moeda e suas ações sobem e caem com os metais, então uma nova compra de ouro pode reduzir o risco menos do que o esperado. Em alguns casos, ela pode apenas aumentar a concentração no mesmo tema macroeconômico.

    Como comprar ouro no México, Chile, Peru, Colômbia e Argentina

    No México, GLD e IAU podem ser acessados via SIC em plataformas como GBM, Banorte e BBVA. Quem quer exposição local a mineração pode comprar Peñoles (PE&OLES.MX) na BMV. Quem prefere barras físicas pode olhar para centenarios por meio do Banco do México, normalmente com prêmios de 3% a 5% sobre o preço à vista.

    No Chile, GLD e IAU estão disponíveis pela Racional, Fintual ou por um broker dos Estados Unidos. O tratado entre EUA e Chile de 2024 mantém uma retenção de 15%, embora o efeito seja limitado porque os ETFs de ouro costumam pagar pouquíssimos dividendos.

    No Peru, Hapi e Folionet oferecem acesso direto a GLD e IAU. A falta de tratado tributário com os Estados Unidos implica retenção de 30%, mas o impacto sobre o retorno dos ETFs de ouro continua pequeno pela mesma razão. A Buenaventura, listada como BVN, é uma grande mineradora local e também negocia como ADR.

    Na Colômbia, Trii e Hapi oferecem acesso a GLD e IAU sob a mesma estrutura de 30% sem tratado. Na Argentina, os CEDEARs de GLD, Newmont e Barrick Gold são negociados na BYMA por meio da IOL ou da Balanz. Para muitos investidores argentinos, esse é o caminho mais prático porque dá exposição atrelada ao dólar dentro do mercado local.

    Os riscos são fáceis de ignorar quando o gráfico sobe

    O ouro tem vantagens claras, mas também uma fraqueza importante. Ele não gera renda. Não há dividendos, cupons nem fluxo de caixa. O retorno depende inteiramente da valorização do preço, o que faz o timing e o sentimento importarem mais do que em ações ou títulos.
    A correção recente é um lembrete. Uma queda de US$ 5.405 para cerca de US$ 4.750 aconteceu em questão de semanas. Quem comprou no pico já está amargando uma perda relevante. O ouro pode se mover rápido nos dois sentidos, e o tamanho da posição importa muito mais do que muitos compradores de primeira viagem esperam.
    Também existe o risco de contar a mesma exposição duas vezes. Um investidor latino-americano com ações de mineração, uma moeda sensível a metais e um ETF regional talvez já tenha bastante exposição ao mesmo tema. Nesse caso, adicionar mais 10% em ouro direto pode não diversificar a carteira. Pode simplesmente torná-la mais dependente de um único ciclo.

    Como é uma alocação sensata

    A maioria dos alocadores institucionais ainda sugere uma exposição de 5% a 10% em ouro para diversificação. Para investidores da América Latina, a faixa mais baixa costuma fazer mais sentido porque a exposição indireta já vem embutida por meio de mineradoras e moedas. Em muitas carteiras, 5% em ouro direto já basta para dar estabilidade sem tirar espaço de outros ativos.
    Isso não significa que o ouro seja inútil. Ele ainda funciona como proteção contra inflação, choques geopolíticos e estresse no mercado acionário. O ponto é comprá-lo pelo papel que realmente pode desempenhar, e não porque o rali recente parece empolgante. Na América Latina, onde os metais moldam tanto o quadro financeiro, essa disciplina importa ainda mais.
    Aviso legal: Educação, não aconselhamento. Resultados passados não garantem retornos futuros. Investir sempre envolve riscos.

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