Fundamentos
O que é um ETF?
Um fundo negociado em bolsa, ou ETF, é uma única cota negociável que carrega dezenas ou centenas de empresas dentro de si. Uma compra, um ticker, exposição ampla ao mercado, e você compra e vende durante o pregão como se fosse uma ação qualquer.
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A ideia, em um parágrafo
Um ETF, sigla em inglês para Exchange-Traded Fund, é uma cesta de investimentos embrulhada em uma única cota que é negociada em bolsa. Quando você compra uma cota de um ETF que segue o S&P 500, está comprando uma fração de cada uma das 500 empresas que esse índice contém, mais ou menos nas proporções que o índice define. O gestor do ETF cuida da contabilidade por você, e você entra e sai com a mesma facilidade com que negociaria a Apple ou qualquer outra ação.
Dessa estrutura simples seguem duas propriedades importantes. Primeiro, você ganha diversificação no primeiro dia: uma única cota de ETF distribui o seu dinheiro entre dezenas ou centenas de empresas, então o sucesso ou fracasso de qualquer uma delas mexe pouco no seu portfólio. Segundo, você negocia durante o pregão a um preço atualizado em tempo real, do mesmo jeito que com uma ação, diferente dos fundos mútuos tradicionais, que só fixam preço uma vez por dia no fechamento.
A maior parte dos ETFs é de réplica física: o fundo realmente possui as ações subjacentes. Alguns são sintéticos, mantendo contratos de swap com um banco que prometem entregar o retorno do índice sem possuir as ações em si; isso introduz risco de contraparte e é mais comum na Europa do que nos Estados Unidos. Para os nossos fins, considere a réplica física como o caso padrão e enxergue o ETF como um envoltório fino em volta da cesta de empresas que ele guarda.
Raio-X: o que tem dentro de uma cota
Escolha um ETF e veja as 25 maiores posições, dimensionadas pelo peso e agrupadas por setor. A ideia: uma cota é exposição a muitas empresas em muitos setores, uma diversificação que de outro jeito você teria que montar ação por ação.
Cinco coisas para guardar
- Uma cota é exposição a muitas empresas. Uma única cota de SPY distribui o seu dinheiro entre mais de 500 firmas; QQQ entre cerca de 100 dos maiores nomes não financeiros da Nasdaq. A diversificação já vem montada, você não precisa armar nada.
- Custos menores do que os de fundos mútuos. A taxa anual, chamada Total Expense Ratio (TER), costuma ficar entre 0,03% e 0,20% ao ano nos ETFs de mercado amplo, uma fração do que um fundo mútuo de gestão ativa cobra normalmente.
- Negocia durante o pregão. Diferente de um fundo mútuo tradicional, você pode comprar ou vender um ETF a qualquer momento do pregão pelo preço em tempo real. É útil quando saem notícias; também é útil quando te tenta a girar demais a carteira.
- Existem variantes para quase qualquer tese. ETFs setoriais, ETFs de um único país, ETFs de dividendos, ETFs por fator, ETFs com hedge cambial, ETFs de renda fixa: o envoltório é o mesmo, o que muda é a cesta subjacente.
- O tratamento tributário varia conforme o seu país de residência. Um investidor mexicano paga retenção diferente sobre dividendos americanos do que um brasileiro; um chileno enfrenta regras de declaração diferentes das peruanas. Confirme o tratamento tributário local de ativos estrangeiros antes de aumentar as posições.
Por que isso importa para o investidor latino-americano
Para quem investe a partir do México, do Brasil, da Colômbia, do Peru ou do Chile, os ETFs são o veículo padrão para ter exposição aos mercados dos Estados Unidos e ao restante do mundo sem precisar comprar cada ação estrangeira separadamente. A maior parte das corretoras da região (Bitso, GBM+, XP, Avenue, BTG Pactual, Modal, Fintual, BICE) oferece ao cliente de varejo acesso direto aos principais ETFs americanos com taxas modestas e, em alguns casos, isenção de corretagem nos nomes mais conhecidos.
O envoltório também importa por uma segunda razão: a maior parte dos ETFs relevantes é denominada em dólares americanos. Comprar VOO a partir de uma corretora brasileira ou mexicana te dá exposição tanto às empresas subjacentes quanto ao dólar, historicamente uma proteção útil contra a desvalorização das moedas locais. Combinado com os juros compostos de longo prazo, um ETF é uma das formas mais simples para uma família latino-americana participar do retorno dos mercados globais sem precisar escolher ações estrangeiras uma a uma.
ETFs para comparar lado a lado
Quatro ETFs amplamente conhecidos que capturam o mercado americano por lentes um pouco diferentes. Use-os como ponto de partida da sua pesquisa, não como recomendação.
Por onde começar
Se a ideia fez sentido e você quer uma lista curta e curada, a nossa seleção inicial de ETFs reúne fundos de baixo custo e bem diversificados, dividida entre exposição global, dividendos e núcleo do mercado americano.