Fundamentos

O que é uma ação?

Uma ação é uma fração de propriedade de uma empresa real. Ao comprar uma, você se torna dono de um pedaço (quase sempre pequeno) de cada mesa, fábrica, contrato e marca que a empresa toca. O preço se mexe porque o mercado revisa o tempo todo quanto vale o bolo inteiro.

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A ideia, em três parágrafos

Uma ação é uma unidade de propriedade sobre uma empresa que negocia em bolsa. Quando uma companhia emite ações ao mercado, ela está dividindo todo o seu negócio em pequenas peças transferíveis. Se a empresa emitiu cem ações e você tem três, você é dono de três por cento daquele negócio. O princípio é o mesmo, seja em uma padaria familiar que abriu o capital, seja em uma gigante de tecnologia global que vale trilhões; a única coisa que muda é a escala.

Ter uma ação não é a mesma coisa que ter um ativo tangível que você possa levar para casa. Você não vai aparecer na sede e sair com uma mesa debaixo do braço. O que você de fato tem é um direito sobre a empresa: uma fatia dos lucros futuros que a empresa decidir distribuir como dividendos, um voto na assembleia anual de acionistas e um direito residual sobre o que sobrar caso a companhia seja vendida ou liquidada. O preço da ação sobe e desce porque o mercado discute em tempo real quanto vale esse bolo de direitos.

A maior parte das empresas listadas emite o que se chama ação ordinária, que dá direito a voto e a um dividendo variável. Algumas também emitem ações preferenciais, que costumam pagar um dividendo fixo e ficam à frente das ordinárias caso a empresa seja liquidada, mas geralmente sem direito a voto. Para a maioria dos investidores de varejo na maior parte do tempo, o que importa é a ação ordinária. No resto da página, quando dizemos "ação" estamos falando de uma ordinária, salvo aviso em contrário.

O bolo da propriedade

Primeiro a metáfora: arraste o controle para comprar fatias de uma empresa fictícia que emitiu exatamente cem ações. Depois a checagem com a realidade: como a mesma matemática de propriedade fracionada aparece na escala da Apple.

Cinco coisas para guardar

  • Ter uma ação significa ter um pedaço de um negócio real. O preço da ação da Apple não é uma ficha de cassino; é uma estimativa de mercado, revisada o tempo todo, de quanto vale a empresa inteira: produtos, caixa, marca, riscos.
  • A maior parte dos acionistas de varejo tem frações minúsculas. Três ações da Apple são mais ou menos dois bilionésimos de um por cento da empresa. Isso é normal, não é problema; o princípio da propriedade não muda.
  • O preço das ações reflete o que o mercado em conjunto acha que vale o bolo inteiro, dividido pelo número de fatias. Quando o preço se mexe, alguém mudou de ideia sobre o bolo, sobre as fatias, ou sobre os dois.
  • As ações ordinárias trazem direito a voto, mas a maior parte dos investidores de varejo nunca vota. O direito existe; o quão a sério você o leva é decisão sua. Muitas corretoras já oferecem voto por procuração a um clique, se você quiser usar.
  • Dividendos são a forma de a empresa compartilhar o lucro realizado com os donos. Nem toda companhia paga. Empresas de crescimento rápido tendem a manter o caixa dentro do negócio, e as que pagam podem mudar a política a qualquer momento.

Por que isso importa para o investidor latino-americano

Para quem investe a partir do México, do Brasil, da Colômbia, do Peru ou do Chile, a maior parte da exposição a ações acontece via corretoras em dólares americanos e via ADRs (American Depositary Receipts) que envolvem uma empresa estrangeira em uma camada negociável nos Estados Unidos. Isso pode fazer com que ações estrangeiras pareçam intangíveis: não há certificado físico, não há ticker da bolsa local no jornal, só um número numa tela. Entender a propriedade fracionada é o que mantém esse número com os pés no chão.

Três fios costuram tudo isso. Primeiro, manter uma ação ano após ano é o que faz a matemática trabalhar a seu favor, porque a capitalização recompensa tempo mais do que timing. Segundo, comprar muitas ações de uma vez por meio de uma única cota de ETF é a forma mais rápida de o investidor de varejo construir exposição ampla ao mercado sem escolher empresas individuais. E terceiro, mesmo que você prefira ações isoladas, não concentre tudo em uma empresa ou em um país: os portfólios latino-americanos mais limpos se espalham entre geografias, classes de ativos e tamanhos de empresa em vez de se concentrarem em um único nome.

Quatro empresas reais para olhar

Ações isoladas conhecidas em tamanhos e setores bem diferentes. Use-as como ponto de partida da sua pesquisa, não como recomendação.