Açúcar bruto sobe 4% e atinge 20,73 centavos na ICE
As cotações renovaram máximas com chuvas excessivas no Brasil e atrasos portuários.
Os contratos futuros de açúcar bruto na bolsa ICE subiram 4% nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, ultrapassando os 20 centavos por libra-peso e registrando a maior cotação em 19 meses. O primeiro contrato fechou com valorização de 0,8 centavo, ou 4%, cotado a 20,73 centavos por libra-peso, após atingir a máxima intradiária de 20,81 centavos. Esse avanço ocorre após uma alta de 7,7% acumulada na semana anterior.
O movimento refletiu as preocupações com o excesso de chuvas provocado pelo El Niño no Brasil, o principal produtor global da commodity. A produção brasileira recuou 41,6% na primeira quinzena de setembro em decorrência do clima úmido, gerando também atrasos nos embarques nos portos locais, de acordo com corretores. Analistas da Green Pool afirmaram que, diante das chuvas recordes de setembro e da perspectiva de novas precipitações em outubro, o mercado opera convencido de que a safra ficará bem abaixo das projeções.
Espera-se que o El Niño também reduza o rendimento das safras de Índia e Tailândia, enquanto a produção da União Europeia deve enfrentar retração severa após a seca de verão. Já o contrato de açúcar branco avançou 3%, para US$ 547,60 por tonelada métrica, depois de bater US$ 552,50 durante o pregão, seu patamar mais elevado desde o fim de agosto.
Desempenho de café e cacau
O café arábica fechou em alta de 3,8 centavos, ou 1,3%, a US$ 2,9255 por libra-peso, dando continuidade à alta de 3,6% da semana anterior. David Behrends, da Sucafina, observou que, embora o mercado ainda projete safra volumosa no Brasil em 2026/27, a combinação de baixos estoques e preços físicos elevados na Colômbia e na América Central mantém viés de alta no curto prazo. Corretores apontaram ainda uma valorização de quase 5% do real na sessão após desdobramentos eleitorais favorecerem o candidato Flávio Bolsonaro, movimento cambial que tende a desestimular vendas de produtores. O café robusta avançou 1,7%, para US$ 3.528 por tonelada, enquanto o Vietnã exportou 1,45 milhão de toneladas nos primeiros nove meses de 2026, alta de 16,2%.
No segmento de cacau, o contrato em Londres subiu 143 libras, ou 3,4%, para 4.382 libras por tonelada, enquanto os futuros em Nova York avançaram 3,5%, negociados a US$ 5.867 por tonelada. Pesquisa da Reuters apontou que a safra principal da Costa do Marfim pode recuar cerca de 17% nesta temporada pela falta de chuvas. As entregas nos portos marfinenses somaram 18.000 toneladas na semana terminada em 4 de outubro, totalizando 54.500 toneladas no acumulado do ciclo 2025/26.
Os preços das ações podem subir e cair. O desempenho passado não garante resultados futuros. Este artigo é uma notícia, não uma recomendação de investimento.
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