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Saúde, construção e salários sustentaram o ritmo do mercado de trabalho americano.

O mercado de trabalho dos Estados Unidos continuou resiliente em março. A folha de pagamento não agrícola aumentou em 178.000 vagas, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,3%. Para os investidores de varejo da América Latina, o relatório importa porque pode influenciar as expectativas sobre a política do Federal Reserve, os rendimentos dos Treasuries, o dólar e o apetite por risco nos mercados emergentes.
Saúde, construção e transporte puxaram a alta do emprego. Ao mesmo tempo, a folha do governo federal continuou caindo, mostrando que o mercado de trabalho ainda está se ajustando mesmo com o crescimento geral das contratações em território positivo.
O setor de saúde adicionou 76.000 vagas, com os maiores ganhos em serviços ambulatoriais de saúde e hospitais. A construção criou 26.000 empregos, enquanto transporte e armazenagem ganharam 21.000, principalmente em correios e mensageiros. A assistência social também continuou se expandindo, com 14.000 vagas a mais.
Esses setores são sinais úteis porque costumam refletir tendências de demanda subjacentes. A saúde tende a ser mais defensiva, enquanto construção e transporte podem dar pistas sobre a atividade econômica mais ampla e a demanda do consumidor.
A taxa de desemprego ficou em 4,3%, e o número de desempregados quase não mudou, em 7,2 milhões. O desemprego de longo prazo, isto é, pessoas sem trabalho há 27 semanas ou mais, permaneceu elevado em 1,8 milhão e respondeu por 25,4% de todos os desempregados.
Os salários continuaram subindo, o que sustenta o consumo das famílias, mas também pode manter o Federal Reserve cauteloso. O salário médio por hora dos empregados privados não agrícolas aumentou 0,2% em março, para US$ 37,38, alta de 3,5% em relação ao ano anterior. A semana de trabalho média caiu levemente para 34,2 horas.
Para investidores da América Latina, um mercado de trabalho forte nos EUA pode ter efeitos mistos. Dados sólidos de emprego e salários podem sustentar o consumo e os lucros corporativos, mas também podem adiar cortes de juros, o que tende a manter os rendimentos dos títulos americanos mais altos por mais tempo.
Isso pode importar para os ativos da América Latina. Rendimentos mais altos nos EUA e um dólar mais forte costumam pressionar as moedas locais, aumentar os custos de financiamento e afetar os fluxos para ETFs, mercados emergentes e outros ativos de risco. Por outro lado, se o crescimento seguir firme sem uma aceleração forte da inflação, os mercados ainda podem precificar um pouso suave.
A grande questão agora é se março mostra que fevereiro foi um caso isolado ou se as contratações estão voltando a acelerar. Os investidores devem acompanhar os próximos dados de inflação, o crescimento salarial e a resposta do Federal Reserve, especialmente porque o relatório de emprego é um dos principais insumos para as expectativas de política monetária.
As revisões também importam. Janeiro foi revisado para cima, para 160.000 vagas, enquanto fevereiro foi revisado para baixo, para -133.000, deixando o emprego um pouco mais fraco do que o inicialmente reportado nesses dois meses somados. Isso lembra que um único dado de folha de pagamento raramente conta a história completa.
Source: U.S. Department of Labor
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