Relatório da KPMG contratado pela geradora aponta falta de comprovação patrimonial da EPP e TermoG.
A Eneva e a Global passaram a atuar ativamente na defesa da inabilitação de quase 2 GW em termelétricas ligadas à Evolution Power Partners (EPP) e à TermoG, vencedoras do leilão de reserva de capacidade (LRCap) de março. As duas empresas possuem quatro usinas que poderão ser convocadas se a diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mantiver o parecer da sua comissão técnica.
A Eneva contratou a consultoria KPMG para examinar os balanços dos Consórcios ION e da TermoG. A análise técnica concluiu que há fundamento para impedir a duplicidade de uso do mesmo patrimônio e retirar valores sem comprovação suficiente de disponibilidade. No caso da TermoG, dona dos 88,245 MW da UTE Garuva, a controladora Mar Engenharia apresentou patrimônio de R$ 70,36 milhões, mas R$ 65 milhões decorriam da reavaliação de dois imóveis sem suporte contábil suficiente. Sem esse efeito, o patrimônio caiu para R$ 2,86 milhões, abaixo dos R$ 30,16 milhões exigidos pelo edital.
Em paralelo, a Global apresentou parecer da Rufino Consultoria assinado por Romeu Rufino e Davi Antunes Lima, ex-integrantes da Aneel. O documento apontou um déficit patrimonial de R$ 6,34 milhões afetando cinco consórcios e de R$ 29,57 milhões no ION IV após expurgar cruzamentos societários. A empresa anexou ainda parecer de julho da Procuradoria Federal junto à Aneel, que veda a dupla contagem de patrimônio e autoriza a agência a examinar a real disponibilidade dos recursos.
O volume sob questionamento atinge 1.773,245 MW, englobando 1.685 MW das nove usinas dos consórcios ION e os 88,245 MW da TermoG. Caso as inabilitações sejam confirmadas pela diretoria da Aneel, os empreendimentos subsequentes poderão ser chamados para habilitação. A Eneva soma 790,95 MW na fila com os projetos Porto Norte Fluminense I A (574,539 MW) e GDE Pará III (216,411 MW). A convocação não representa contratação automática dos projetos.
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