Recuperação de impostos nos EUA pode elevar a margem EBITDA do terceiro trimestre para até 24,2%.
Em 16 de setembro de 2026, o JPMorgan divulgou uma análise indicando que a WEG pode registrar um ganho extraordinário de R$ 166 milhões a R$ 234 milhões no terceiro trimestre de 2026. A cifra depende da recuperação de tarifas de importação cobradas pelos Estados Unidos sobre produtos de origem brasileira com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
O reembolso potencial representaria de 7% a 9% do EBITDA previsto para o terceiro trimestre. O montante elevaria a margem EBITDA da fabricante para a faixa de 23,6% a 24,2%, um ganho de 150 a 210 pontos-base. O patamar supera a projeção atual do JPMorgan, de 22,1%, e o consenso do mercado, de 21,9%. No acumulado de 2026, a incorporação do valor elevaria a margem anual para 22,5% a 22,7%, superando a expectativa de 22,1% do banco e de 22,0% do consenso.
Com base em números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o banco estimou que a WEG exportou cerca de R$ 1,68 bilhão do Brasil para os Estados Unidos entre abril de 2025 e fevereiro de 2026. Do total, R$ 621 milhões foram em equipamentos de transmissão, distribuição e geração de energia (GTD) e R$ 1,056 bilhão em motores industriais e para eletrodomésticos. Assumindo que produtos de ciclo curto compõem de 15% a 35% de GTD e de 70% a 90% da linha de motores, o banco delimitou uma base tarifada de R$ 832 milhões a R$ 1,168 bilhão sob alíquota média de 20%.
As tarifas nos Estados Unidos mudaram com frequência no período. Pela IEEPA, a alíquota começou em 10% em abril de 2025, saltou para 50% de agosto a outubro, recuou para 10% em novembro e caiu para zero em março de 2026, após anulação da lei pela Suprema Corte norte-americana em fevereiro de 2026. O governo norte-americano aplicou então a Seção 122 com alíquotas de 10% a 15% até junho de 2026, substituída em julho pela Seção 301 com tarifa de cerca de 37,5% (25% base e 12,5% por trabalho forçado). Em paralelo, a tarifa de 50% da Seção 232 sobre aço e alumínio segue ativa desde junho de 2025.
Na teleconferência do segundo trimestre, a administração da WEG informou que estuda a recuperação das taxas pagas. A diretoria ressaltou que a Seção 232 ainda pode pressionar margens e que eventuais compensações levariam de um a dois trimestres para aparecer no balanço. A WEG expressou confiança em compensar impactos via reajustes de preços, expansão da produção local e flexibilidade produtiva entre o México e os ativos recém-adquiridos da Regal Rexnord. O JPMorgan observa que a WEG negocia a 19 vezes o valor da firma sobre o EBITDA para 2027, ante 17,7 vezes dos pares globais.
Os preços das ações podem subir e cair. O desempenho passado não garante resultados futuros. Este artigo é uma notícia, não uma recomendação de investimento.
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