Banco revisou projeção anterior de R$ 11 diante de fraqueza operacional e riscos de execução.
O JPMorgan rebaixou a recomendação das ações da Natura &Co de overweight para neutra em 30 de setembro de 2026, reduzindo o preço-alvo de R$ 11 projetados para dezembro de 2026 para R$ 8,50 com horizonte em dezembro de 2027. Embora o novo patamar represente um potencial de valorização de aproximadamente 25% a 30%, a instituição considera o upside limitado devido ao aumento do custo de capital e ao corte de 15% na projeção de lucro por ação.
Para o banco, a venda integral da Avon International fora da América Latina mitigou riscos extremos, mas não evitou a volta de preocupações operacionais. Em relação a 2026, o JPMorgan reduziu a projeção de lucro líquido das operações continuadas em 41%, de R$ 311 milhões para R$ 184 milhões, enquanto elevou a previsão de despesa financeira líquida em 16%, para R$ 1,14 bilhão. A receita líquida para 2026 foi estimada em R$ 21,29 bilhões, queda anual de 4%, com Ebitda de R$ 2,45 bilhões, alta de 10%.
Já para 2027, as projeções apontam corte de 2% na receita líquida, para R$ 22,7 bilhões, e recuo de 10% no Ebitda, para cerca de R$ 3 bilhões, com o lucro caindo 15%, de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,27 bilhão. O JPMorgan apontou dificuldades nas marcas da Avon na América Latina e entraves nas vendas diretas. A gestão busca cortar despesas corporativas entre 25% e 30%, mas o banco alertou que, na análise de qualidade de lucros de 2027, só 19% do resultado é operacional, enquanto 65% vem de incentivos de ICMS e 15% de subvenções tributárias.
A revisão ocorreu após o papel acumular queda de 20,8% em dois meses e recuo de 17,4% em duas semanas. Embora os papéis negociem a 8,4 vezes o lucro projetado no consenso, o que representa um desconto de 72% contra a média histórica de 29,5 vezes, o JPMorgan calcula múltiplos de 7 vezes para 2027 e 6 vezes para 2028, avaliando que a ação não traz diferenciação frente aos pares diante dos riscos do processo de recuperação.
Os preços das ações podem subir e cair. O desempenho passado não garante resultados futuros. Este artigo é uma notícia, não uma recomendação de investimento.
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