O desemprego no Brasil recua para 5,3% em agosto
A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas e eleva a pressão sobre a Selic.
A taxa de desocupação no Brasil recuou de 5,6% para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo os dados da Pnad divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 29 de setembro. O resultado representa o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. A população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, com nível de ocupação de 58,9%.
O mercado de trabalho permaneceu resiliente mesmo diante da desaceleração do Produto Interno Bruto, cuja expansão trimestral passou de 1,1% no primeiro trimestre para 0,5% no segundo. A XP apontou que os postos formais avançaram 1,8% em termos anuais, enquanto o emprego informal recuou 0,1%. O crescimento das contratações no trimestre concentrou-se na indústria e na construção civil, com estabilidade estatística no emprego privado com carteira assinada. A XP projeta que a desocupação alcance 5,6% no fim de 2026 e 6,5% no fim de 2027.
O rendimento médio real habitual subiu 3,7% em doze meses, para R$ 3.777, levando a massa real de rendimentos a R$ 385,6 bilhões, uma alta anual de 4,8%. Por outro lado, o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda em julho, e o comprometimento financeiro subiu 1,4 ponto percentual em um ano, para 28,7%, segundo Arnaldo Lima, líder de RI e economista da Polo Capital. Lima ressaltou que a inadimplência de pessoas físicas subiu para 6,0% em agosto, alcançando 8,0% no crédito livre, cuja taxa média de juros chegou a 61,7% ao ano.
Esse quadro traz desafios para a calibragem da taxa Selic, atualmente mantida em 13,75%. A inflação de serviços acumula avanço de 5,47% em 12 meses. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, destacou que o nível elevado de vagas e rendimentos sustenta a pressão sobre os serviços, limitando o espaço para que o Banco Central acelere o ciclo de cortes de juros.
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