O dado marca a primeira retração trimestral em dois anos, puxada pela queda de 2,4% no consumo.
O Produto Interno Bruto da Argentina encolheu 0,6% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores. O resultado representa a primeira contração trimestral em dois anos. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a produção cresceu 2%, sustentada pelo aumento das exportações de energia e produtos agrícolas e pela queda das importações.
O consumo privado recuou 2,4% no segundo trimestre, refletindo o fraco avanço salarial e o crédito restrito às famílias. O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou que 13 dos 16 setores monitorados registraram avanço no primeiro semestre do ano. Em contrapartida, o comércio varejista, a construção civil e a indústria continuam cortando vagas, acumulando uma perda de cerca de 246.300 empregos assalariados privados registrados e o encerramento de mais de 30.000 empresas desde antes do início do atual governo.
A inflação anual desacelerou para 34% no mês passado, ante mais de 200% quando o presidente Javier Milei assumiu o cargo, enquanto os preços ao consumidor subiram 21% no período até agosto. O peso argentino desvalorizou 3,7% em relação ao dólar no mesmo intervalo, sob influência de intervenções oficiais nos mercados de títulos e futuros e de restrições cambiais a empresas. Fernando Marull, sócio da consultoria FM&A, projeta uma possível segunda queda consecutiva no terceiro trimestre, o que configuraria uma recessão técnica.
O governo reduziu sua previsão de crescimento para 2026 de 5% para 3%, enquanto economistas consultados pelo Banco Central projetam uma expansão próxima de 2%. Osvaldo Giordano, presidente do instituto econômico IERAL da Fundación Mediterránea, estima estabilidade para a produção no terceiro trimestre.
Newsletter
Mercados no seu e-mail, toda semana
Análise com foco em LATAM, ideias de investimento e o resumo da semana em finanças.
Continuar lendo