Credores aceitaram esticar vencimentos até 2029 e cortar a taxa de juros para CDI mais 3,9%.
A CVC Brasil reestruturou uma dívida de R$ 370 milhões que vencia em outubro de 2026 e abril de 2027. Credores detentores de 85% do valor das debêntures aceitaram nesta segunda-feira, 28 de setembro, a troca por novos papéis de uma 7ª emissão com custo menor e prazo ampliado. O CFO Felipe Gomes afirmou à Bloomberg Línea que sete dos oito principais credores aprovaram a operação, incluindo Citi, BTG Pactual, Leto Capital e Absolute.
O custo das debêntures trocadas caiu de CDI mais 4,5% para CDI mais 3,9% ao ano. A redução de 0,6 ponto percentual deve economizar mais de R$ 4 milhões em juros, segundo Gomes. Os vencimentos de outubro de 2026 e abril de 2027 passaram para setembro de 2027 e setembro de 2029. Os papéis renegociados se originaram de um reperfilamento firmado em 2023, quando a XP integrava o grupo de credores centrais.
A operadora de turismo reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 114,4 milhões no primeiro semestre e dívida bruta de R$ 400,5 milhões em junho. Segundo Gomes, o caixa liberado será usado na operação, na diminuição da antecipação de recebíveis e em tecnologia. A companhia confirmou mais de 100 cortes de pessoal em maio e somava 1.627 lojas entre Brasil e Argentina ao término de junho. A alavancagem deve fechar 2026 abaixo de 0,5 vez o Ebitda ajustado, em linha com o segundo trimestre e abaixo de 0,9 vez de um ano antes. O CEO Fabio Mader declarou que a empresa segue em busca de mais eficiência.
A disputa de mercado ocorre com a Decolar, controlada pela sul-africana Prosus, que investe cerca de US$ 100 milhões anuais em tecnologia. Gomes negou qualquer proposta de aproximação por parte de concorrentes. No mercado financeiro, o BTG Pactual manteve recomendação neutra em relatório de 12 de agosto, com preço-alvo de R$ 3,00 em 12 meses. Em julho, o Itaú BBA encerrou a cobertura da ação, que tinha avaliação outperform e o mesmo preço-alvo de R$ 3,00. Em 15 de setembro, a Fitch Ratings revisou a perspectiva da CVC de positiva para estável, diante de pressões sobre o fluxo de caixa. Na sexta-feira, 25 de setembro, a ação fechou cotada a R$ 1,45, acumulando baixa de 34,09% em 2026 e de 26,40% em 12 meses, enquanto o Ibovespa subia 14,29% no ano.
Os preços das ações podem subir e cair. O desempenho passado não garante resultados futuros. Este artigo é uma notícia, não uma recomendação de investimento.
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