O CEO Gustavo Moscatelli planeja alcançar 50 oficinas próprias até o fim de 2027.
A Movida decidiu desacelerar o crescimento de sua frota para priorizar a eficiência operacional e a redução de despesas diante do cenário de juros altos. Em entrevista ao NeoFeed em 22 de setembro de 2026, o CEO Gustavo Moscatelli avaliou que a expansão exige capital e alavancagem sem o retorno equivalente no momento atual. O objetivo principal da locadora é abrir 50 oficinas próprias até o término de 2027 pelo projeto Movida Pit Stop, o que permitirá internalizar cerca de 60% da manutenção preventiva.
Nas 10 unidades abertas desde fevereiro em praças como São Paulo, Campinas, Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a economia média alcança 25% na comparação com terceiros. O CEO apontou que o tempo médio de atendimento é de 40 minutos e o NPS atinge 95%, ante o patamar de 55% a 60% registrado na rede de quase 5 mil oficinas credenciadas. A empresa também opera quatro centros de desmobilização e pretende chegar a dez até meados de 2027, gerando economia próxima de 50% na preparação de 7 mil a 8 mil seminovos vendidos mensalmente.
A companhia encerrou o mês de junho com frota consolidada de 286 mil veículos, expansão anual de 9%, enquanto a frota operacional média atingiu 244 mil carros, avanço de 10%, ante 670,4 mil veículos da concorrente Localiza. No segundo trimestre de 2026, a taxa de ocupação subiu para 76,2%, as diárias cresceram 22% para 7,4 milhões e a tarifa média no RAC aumentou 7%, alcançando R$ 165. O retorno sobre o capital investido (ROIC) bateu o recorde de 16,7%, com spread de 5,7 pontos percentuais sobre o custo da dívida pós-impostos, e o guidance de lucro líquido para o terceiro trimestre ficou entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões.
Para evitar a pressão competitiva de fabricantes chinesas, a Movida reorientou as compras para modelos mais acessíveis. O analista do Citi Filipe Nielsen ressaltou que 84% da frota tem valor residual inferior a R$ 120 mil e 71% abaixo de R$ 100 mil, enquanto modelos novos chineses de categorias equivalentes custam 97% a mais. A empresa opera cerca de mil carros de montadoras chinesas, concentrados em híbridos da GWM, descartando modelos totalmente elétricos no momento. Na B3, as ações MOVI3 acumulam baixa de 12,5% no ano, avaliando a empresa em R$ 3,6 bilhões.
Os preços das ações podem subir e cair. O desempenho passado não garante resultados futuros. Este artigo é uma notícia, não uma recomendação de investimento.
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