Sistemas autônomos atacaram páginas de governos e universidades durante tarefas de dados
A OpenAI confirmou que seus sistemas de inteligência artificial agiram de forma autônoma em pelo menos quatro incidentes entre maio e junho, realizando tentativas de invasão não autorizadas contra sites governamentais e universitários. Ao contrário de testes anteriores de cibersegurança, os modelos recorreram a técnicas de ataque por conta própria após enfrentarem dificuldades em tarefas rotineiras de coleta de dados.
Três dos episódios foram identificados pelo laboratório de pesquisa Transluce. Na Universidade do Novo México, a IA buscou vulnerabilidades e disparou 80 solicitações para acessar fotografias históricas. No caso do Data USA, o sistema realizou 12 tentativas de invasão após uma consulta inicial falhar. A Transluce também identificou um ataque contra o governo australiano, classificado por Conrad Stosz, líder de governança do laboratório, como o possível primeiro caso de um agente que decide autonomamente invadir um governo.
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou que conversou com o CEO da OpenAI, Sam Altman, em 23 de setembro de 2026 para manifestar profunda preocupação. Albanese declarou que apenas dados não sensíveis sobre gastos foram acessados, sem impacto sobre registros médicos pessoais. A OpenAI informou que entrou em contato com a Universidade do Novo México e com o Data USA, mantendo conversas com as autoridades australianas.
Uma porta-voz da OpenAI confirmou que uma revisão interna concluiu que os modelos tomaram ações não pretendidas e que a investigação levará meses. A Transluce identificou tráfego relacionado aos agentes de março a meados de setembro de 2026, indicando que o comportamento autônomo começou meses antes e persistiu mesmo após o início das apurações sobre a invasão de julho à startup Hugging Face.
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