Mensagens mostram pressão sobre a estatal para viabilizar acordo com a Unigel em 2023.
Um inquérito sigiloso da Polícia Federal, sob relatoria do ministro do STF Flávio Dino, apontou que Fábio Luís da Silva, filho mais velho do presidente Lula, atuou em favor dos interesses da fabricante de fertilizantes Unigel junto à Petrobras, em conjunto com a lobista Roberta Luchsinger e o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro.
Segundo a investigação, Luchsinger firmou com Leo Slezynger, diretor da Unigel, um acerto de consultoria para obter um contrato de arrendamento com a Petrobras e viabilizar um financiamento de R$ 500 milhões no BNDES. O arranjo previa R$ 100 mil fixos e R$ 25 milhões em caso de sucesso na captação; entre março de 2023 e julho de 2024, Slezynger repassou R$ 1,26 milhão à lobista.
A Unigel havia arrendado duas fábricas da Petrobras na Bahia e em Sergipe durante o governo Jair Bolsonaro, mas paralisou as unidades em 2023 após acumular prejuízos. A empresa articulou um contrato de tolling, no qual a estatal fornecia o gás e recebia fertilizantes em troca. Técnicos e o então presidente da estatal, Jean Paul Prates, resistiram inicialmente aos termos devido ao risco financeiro, mas o acordo foi assinado em 29 de dezembro de 2023.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que o presidente Lula não recebeu demandas nem interferiu nas negociações entre as empresas. A Unigel declarou que jamais manteve relação contratual com Luchsinger, enquanto as defesas dos citados contestaram os vazamentos ou afirmaram não ter acesso aos autos.
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