As ações americanas abriram agosto em máximas históricas, com Wall Street registrando sua melhor semana desde abril. O S&P 500 e o Dow Jones atingiram picos históricos, e o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, liderou o avanço com um ganho de mais de 5%. Veja o que moveu os mercados entre 3 e 7 de agosto, e o que observar a seguir.
Um relatório de emprego fraco que o mercado até gostou
A história principal foi um caso clássico de "notícia ruim é notícia boa". A economia americana criou apenas 23.000 empregos em julho, e os números anteriores de maio e junho foram revisados para baixo em 103.000 no total. Normalmente uma contratação fraca preocupa os investidores, mas as ações subiram mesmo assim. A lógica: um mercado de trabalho que esfria reduz a pressão sobre o Federal Reserve para manter os juros altos, o que em geral favorece a renda variável.
O petróleo foi o ativo relevante mais volátil da semana. Os preços caíram para cerca de US$79 por barril diante das expectativas de um acordo para reabrir o estreito de Ormuz, o ponto de passagem por onde transita uma grande parte do petróleo marítimo do mundo. O humor mudou na quinta-feira quando vazou um rascunho da proposta iraniana - que, segundo relatos, incluía pedágios de trânsito e uma proibição a navios americanos e israelenses -, empurrando os preços de volta para cerca de US$82.
A infraestrutura por trás da aposta em IA
As ações de melhor desempenho deste ano já não são apenas os nomes de megacapitalização. Cada vez mais, as vencedoras são as empresas que constroem a infraestrutura física da inteligência artificial: memória, armazenamento e servidores. Uma nota de cautela veio da SanDisk, a de melhor desempenho no S&P 500 até agora em 2026: nem mesmo resultados sólidos a protegeram esta semana, e a ação caiu por um guidance futuro fraco. É um lembrete de que, neste mercado, as perspectivas podem importar mais do que o trimestre que acabou de fechar.
Moedas da América Latina se firmam enquanto o cobre marca recordes
Os mercados acionários regionais tiveram desempenho misto, mas as moedas latino-americanas se fortaleceram à medida que o dólar americano enfraqueceu. O cobre caminhou para um fechamento recorde em Londres por causa da oferta apertada, um vento a favor para os exportadores da região. Na política, Abelardo de la Espriella assumiu como presidente da Colômbia.
O placar da semana
O Nasdaq 100 (29.722) e o S&P 500 (7.758) fecharam ambos em alta, enquanto o ouro estendeu sua sequência com um ganho semanal de 6,3% para cerca de US$4.342. O S&P/BMV IPC do México recuou 0,6% para 66.939, e o Bitcoin ficou praticamente estável perto de US$64.851. O euro ganhou 1,7% frente ao dólar, para 1,1561.
Os maiores movimentos
Do lado vencedor, a Palantir (PLTR) saltou 39,8%, a SpaceX (SPCX) subiu 22,8% e a projetista de chips Arm (ARM) somou 17,9%. As perdedoras foram lideradas por energia e saúde: a Chevron (CVX) caiu 5,4%, a AstraZeneca (AZN) recuou 5,0% e a fabricante de memórias SK hynix (SKHY) caiu 4,0%.
No radar: Meta, SpaceX e Alphabet
A Meta (META) ganha mais do que nunca - US$60,8 bilhões em receita trimestral, alta de 28% -, mas seus gastos superaram o que a direção havia sinalizado, e o mercado puniu a ação, que agora cai 21% nos últimos 12 meses. É a mesma tensão que definiu esta temporada de resultados: o pesado investimento em IA só é recompensado quando os investidores conseguem ver um retorno sobre ele.
Outros dois nomes valem o acompanhamento. A SpaceX surpreendeu com US$7,8 bilhões em receita (+92%) e, após um desbloqueio de ações, subiu cerca de 23% em dois dias com o entusiasmo em torno de seu projeto de chips de IA ao lado da Tesla. A Alphabet (GOOG), por sua vez, afirma que seu assistente Gemini já tem 950 milhões de usuários e reporta uma carteira de pedidos de nuvem de aproximadamente US$514 bilhões.
O humor da semana: otimista. O sentimento passou do medo à ganância em uma única semana. Vale lembrar duas coisas: o trecho de agosto a outubro foi historicamente o mais fraco do ano para o S&P 500, e até o Bank of America sugeriu reduzir o risco. Siga o seu plano.
A semana que vem
O dado de destaque chega na quarta-feira com o relatório de inflação de julho nos EUA (CPI), a divulgação mais importante da semana. As vendas no varejo vêm na sexta-feira. No calendário de resultados: JBS e Ferguson reportam na segunda-feira; Super Micro, Sea e PagSeguro na terça-feira, junto com a Cisco na quarta-feira; e Credicorp, Nubank e Applied Materials na quinta-feira.
Aviso legal: Educação, não aconselhamento. Resultados passados não garantem retornos futuros. Investir sempre envolve riscos.
Newsletter
Mercados no seu e-mail, toda semana
Análise com foco em LATAM, ideias de investimento e o resumo da semana em finanças.