A semana de 20 a 24 de julho fechou no vermelho. Uma forte venda de fabricantes de chips e de empresas de tecnologia expostas à IA colidiu com um choque no preço do petróleo vindo do Oriente Médio, o que deixou Wall Street cautelosa e arrastou junto os mercados da América Latina. Veja o que de fato se moveu e por que isso importa para a sua carteira.
O mercado deixou de recompensar o gasto em IA por si só e passou a exigir um retorno sobre esse gasto. A Alphabet elevou sua projeção de investimento em capital (capex) para 2026 para cerca de US$205 bilhões e reportou seu primeiro fluxo de caixa livre negativo, mesmo com o negócio de nuvem crescendo 82%. A Tesla decepcionou. O Nasdaq caiu 2,15% na quinta-feira, quando os investidores puniram a diferença entre o gasto e o resultado.
O petróleo levou o resto da história. O Brent superou brevemente os US$100 o barril - alta de 6,8% na quinta-feira - após ataques houthis a dois petroleiros sauditas no mar Vermelho. Recuou para baixo de US$100 na sexta-feira, mas a tensão mais ampla entre Estados Unidos e Irã e o risco em torno do estreito de Ormuz mantiveram a pressão sobre os preços.
O petróleo caro empurrou o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos para cerca de 4,70%, perto da máxima do ano. Isso mudou a conversa do mercado: de cortes de juros para a possibilidade de altas, com a próxima decisão do Federal Reserve chegando na semana seguinte. Enquanto isso, entraram em vigor novas tarifas americanas de 10% a 12,5% sobre a maioria dos parceiros comerciais, o que jogou mais lenha em um mercado já nervoso e em um dólar forte.
Como ficou o placar
O padrão é de manual: aversão ao risco, com as ações em queda, o Nasdaq de tecnologia como o mais atingido e as duas proteções clássicas - o ouro e o bitcoin - em alta. Quando os mercados ficam nervosos, o dinheiro costuma girar das ações de crescimento para ativos vistos como reserva de valor, embora nenhum ativo seja um porto seguro garantido.
Ganhadores e perdedores
Os que mais se moveram foram, como de costume, nomes pequenos e voláteis, e não as megacapitalizações. Na alta, a fabricante de snacks Utz Brands (UTZ) saltou 94,8%, a mineradora de cripto Cipher Mining (CIFR) somou 31,8% e a siderúrgica Cleveland-Cliffs (CLF) ganhou 28,7%. Na baixa, a Columbia Financial (CLBK) caiu 53,5%, o ETF alavancado Direxion 2x Tesla (TSLL) despencou 34,9% com o tropeço da Tesla, e a rede de supermercados Albertsons (ACI) perdeu 27,4%. Movimentos tão grandes em uma única semana lembram por que os produtos alavancados e de ação única carregam um risco desproporcional.
No radar: Alphabet
A Alphabet foi o destaque da temporada de resultados mesmo com a queda da ação. A receita atingiu um recorde, com alta de 24%, sua unidade de nuvem cresceu 82%, seu assistente Gemini reportou 950 milhões de usuários e ela apresentou um novo protocolo de pagamentos para agentes de IA (AP2, ao lado de MA e PYPL). Ainda assim, a ação caiu cerca de 7% - assustada pela conta de capex de US$205 bilhões, não pelo negócio em si - e arrastou junto Microsoft e Meta, que ficaram sendo negociadas mais baratas do que antes.
Essa diferença - um negócio sólido, uma ação em queda - é justamente por que vale a pena acompanhar o índice preço/lucro. A Alphabet era negociada em torno de 15,9x lucros, abaixo da Microsoft (MSFT) em 22,7x e da Meta (META) em 21,7x, o que mostra quanto os investidores estão pagando por cada dólar de lucro. Um múltiplo mais baixo não é automaticamente uma pechincha, e um mais alto não é automaticamente caro; depende de quão rápido se espera que os lucros cresçam.
O que os investidores da América Latina devem observar
As bolsas regionais acompanharam Wall Street e fecharam mistas sob um dólar forte. O peso colombiano foi a exceção - a moeda emergente mais firme da semana - graças a sinais pró-mercado do governo que assume. No Chile, uma tempestade de inverno na região centro-norte atingiu as operações de mineração e colocou o cobre em alerta, um lembrete de como eventos locais se transferem diretamente para as commodities negociadas globalmente.
Para um investidor de longo prazo, a lição útil desta semana não é o ruído do dia a dia, mas o argumento a favor de espalhar as apostas. Uma semana vermelha na tecnologia americana mal arranhou o ouro e o bitcoin, e tratou as moedas da América Latina de formas bem diferentes entre si, que é justamente o sentido da diversificação e de uma alocação de ativos bem pensada.
A decisão do Fed na quarta-feira é a que deve ser marcada no calendário. Com o rendimento do título de 10 anos perto da máxima do ano e o petróleo ainda instável, o tom dessa reunião vai definir o humor das semanas seguintes. Como sempre, o sensato em uma semana vermelha não é entrar em pânico: mantenha o seu plano e o seu horizonte de tempo.
Aviso legal: Educação, não aconselhamento. Resultados passados não garantem retornos futuros. Investir sempre envolve riscos.
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