Trabalhadores da Micron aprovam greve em fábrica de Taiwan
Sindicato de Taoyuan rejeita oferta de 68 meses de salário e quer 15% do lucro operacional.
Trabalhadores sindicalizados de uma unidade da
Micron Technology em Taoyuan, Taiwan, votaram a favor de uma greve na quarta-feira, 7 de outubro de 2026. A decisão ocorreu após a interrupção das negociações sobre bônus com a fabricante de chips. A Micron produz entre 50% e 60% de seus semicondutores em Taiwan, onde conta com cerca de 15.000 funcionários nas fábricas de Taoyuan e Taichung.
Na unidade de Taoyuan, 2.012 dos 2.258 membros aptos participaram da votação: 1.994 apoiaram a greve, 14 votaram contra e quatro cédulas foram invalidadas. Chen Yen-kai, secretário do sindicato local, afirmou que a entidade obteve autorização legal para a paralisação e para montar piquetes. Dois sindicatos representam quase 12.000 operários nas duas fábricas. Contudo, o sindicato que reúne cerca de 11.000 pessoas em Taichung informou à AFP que continuará as conversas com a empresa conforme o planejado.
As entidades sindicais cobram um bônus pontual de 83 meses de remuneração e uma regra permanente para transferir 15% do lucro operacional aos trabalhadores em parcelas trimestrais, e não anuais. Os empregados rejeitaram a proposta feita pela Micron no mês anterior, de até 68 meses de salário, por considerá-la abaixo do setor. Na Coreia do Sul, a Samsung Electronics evitou uma paralisação ao destinar 10,5% do lucro operacional aos operários de semicondutores, beneficiando cerca de 78.000 dos seus 125.000 funcionários no país com cerca de US$ 370.000 neste ano, segundo estimativas de mercado.
A demanda por memória para inteligência artificial elevou os resultados da Micron. A receita alcançou o recorde de cerca de US$ 133 bilhões no ano fiscal de 2026, um crescimento de 256% sobre os US$ 37 bilhões do exercício anterior. A companhia já aplicou mais de 1,6 trilhão de novos dólares taiwaneses, ou US$ 50 bilhões, em Taiwan, local que define como polo essencial.
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