Duas operações com fiança da construtora interromperam repasses a investidores às vésperas de divulgar resultados.
A Gafisa deu novos sinais de aperto financeiro antes de publicar o balanço do segundo trimestre, adiado para 28 de setembro de 2026. Em 15 de setembro, a operação do CRI Bait, lastreada na obra Canto Rio, no Rio de Janeiro, não pagou a parcela devida nem recompôs o fundo de reserva, segundo fato relevante da securitizadora Opea. O papel contava com saldo devedor de R$ 154,7 milhões em agosto e tem a Gafisa como fiadora.
Essa é a segunda dívida garantida pela companhia com pagamentos interrompidos, totalizando R$ 215,5 milhões entre as duas operações. O outro caso é o CRI Sabiá, que financia o Vinci Moema, em São Paulo, com saldo de R$ 60,8 milhões e juros de julho e agosto não repassados. Em assembleia no dia 17 de setembro, os credores evitaram o vencimento antecipado e adiaram as pendências para 2 de outubro.
De acordo com levantamento da plataforma Vitrify, a Gafisa reúne 28 papéis de dívida entre CRIs e debêntures, somando R$ 856,6 milhões em 31 de agosto. Desse total, R$ 581,9 milhões vencem até maio de 2027, sendo que R$ 434 milhões concentram o pagamento de todo o principal no vencimento final. O prazo mais próximo vence em 30 de setembro, referente a uma dívida de R$ 41,9 milhões da Província Securitizadora.
Pelo menos seis fundos imobiliários estão expostos a operações da Gafisa, somando R$ 209,9 milhões, com destaque para Valora CRI CDI, com R$ 72,1 milhões, e Fator Verità, com R$ 50,3 milhões. No primeiro trimestre de 2026, a Gafisa registrou dívida total de R$ 1,6 bilhão, R$ 306 milhões em caixa e prejuízo líquido de R$ 45,6 milhões.
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