Custo da dívida sofrerá acréscimo de juros caso as metas de embalagens não sejam cumpridas.
Em 18 de setembro de 2026, a Natura Cosméticos captou R$ 700 milhões por meio da emissão de debêntures de cinco anos estruturadas como sustainability-linked bonds (SLB). A operação atrela o custo da dívida ao aumento do uso de plástico reciclado e de fonte renovável nas embalagens das marcas Natura e Avon.
O papel tem taxa inicial de CDI + 1,10% ao ano. A Natura assumiu o compromisso de elevar o percentual de plástico sustentável em suas embalagens de 21% em 2022 para 43% em 2028 e 46% em 2029, mantendo uma meta pública de 50% até 2030. Caso não alcance o patamar de 2028, a taxa sobe 0,20 ponto percentual. Se falhar em 2029, haverá acréscimo de mais 0,25 ponto, elevando o custo total para CDI + 1,55% em caso de duplo descumprimento.
Destinada a investidores profissionais, a emissão foi integralmente subscrita por uma única instituição financeira não informada e contou com parecer de segunda parte da Moody's. Segundo o coordenador UBS BB, a debênture é a primeira emissão corporativa brasileira alinhada ao guia de nature bonds da ICMA. A transação elevou a fatia de dívida da Natura associada a metas ESG para 65%.
A companhia havia emitido US$ 1 bilhão em SLB em 2021, atingindo 30% de plástico reciclado pós-consumo em 2025 contra a meta de 25% para 2026. Em 2024, emitiu R$ 1,3 bilhão vinculados a bioingredientes da Amazônia, alcançando 52 itens em 2025 e superando a meta de 49 prevista para 2027. No segundo trimestre deste ano, a Natura reportou dívida líquida de R$ 3,86 bilhões e alavancagem de 2,06 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda.
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