S&P rebaixa nota da Nike para A após queda nas vendas na China
A agência projeta queima de caixa e recuo superior a 7% na receita fiscal de 2027.
A S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da
Nike de 'A+' para 'A' em 5 de outubro de 2026. A agência apontou um processo de recuperação demorado em suas principais linhas de estilo de vida e forte recuo nas vendas na Grande China, alertando para geração negativa de caixa nos próximos dois a três anos.
A S&P estima que a receita consolidada da Nike recue mais de 7% no ano fiscal de 2027 e sofra nova piora no ano fiscal de 2028, sob o peso de US$ 1 bilhão adicional em despesas de reestruturação corporativa. Na Grande China, as vendas caíram 26% no primeiro trimestre fiscal e devem recuar cerca de 30% em todo o ano fiscal. O mercado chinês já representou mais de um quinto das vendas totais da empresa. Para conter o avanço de rivais locais como a Anta Sports, a Nike vai retomar o controle dos canais digitais diretos no início de 2027 e reaproximar parceiros no atacado.
Além do mercado asiático, a companhia lida com mudanças de preferência nas linhas de estilo de vida e na franquia Jordan, responsáveis por mais de 60% da receita total. Embora os artigos de performance sob a estratégia Sport Offense tenham avançado na faixa alta de um dígito, o avanço de concorrentes como On e Hoka limitou o fôlego da marca.
A Nike mantém liquidez total de US$ 11,4 bilhões para suportar uma queima de caixa anual projetada em US$ 1,2 bilhão após proventos. Segundo a S&P, a companhia deve suspender recompras de ações, conter despesas de capital e honrar vencimentos de dívida até o início de 2027. A perspectiva negativa indica risco de novos cortes nos próximos 12 a 24 meses caso a relação de fluxo de caixa livre operacional ajustado sobre a dívida fique abaixo de 25%.
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