Taxas dos DIs perdem fôlego com fluxo aplicado e desdobramentos políticos e fiscais
A curva de juros futuros encerrou as negociações em 18 de setembro de 2026 com redução de prêmios em todos os vencimentos. O movimento reverteu a pressão observada pela manhã após o anúncio de um reajuste de 15% no Bolsa Família, que havia elevado os temores fiscais dos investidores.
No encerramento da sessão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 fechou estável em 13,555%, em relação ao ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 cedeu de 13,845% para 13,840%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 recuou de 14,061% para 14,020%.
Divulgada na noite de 17 de setembro de 2026, a pesquisa Datafolha indicou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, com o atual chefe de Estado numericamente à frente. Operadores avaliaram que o alívio das taxas ao longo da tarde refletiu a precificação de uma possível vitória da oposição, além do pedido do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) para suspender o aumento de 15% do Bolsa Família sob alegação de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, observou que o cenário político, os acontecimentos no STF e o tema fiscal limitaram o avanço da curva no Brasil, apesar do viés de alta nos Estados Unidos. Já Iván Riveros, estrategista de câmbio e juros para a América Latina do Citi, avaliou que os ativos domésticos devem continuar guiados principalmente pelas definições políticas em direção a 2027.
A queda das taxas no Brasil ocorreu em descolamento do mercado de dívida soberana no exterior. Após a elevação de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve em 16 de setembro de 2026 e o aumento do juro básico pelo Banco do Japão para 1,25%, o rendimento da T-note de dois anos subiu de 4,683% para 4,743%, enquanto o papel de dez anos avançou de 4,937% para 4,993%.
Os preços das ações podem subir e cair. O desempenho passado não garante resultados futuros. Este artigo é uma notícia, não uma recomendação de investimento.
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