A carteira da Baillie Gifford
Uma sociedade de Edimburgo que mede seus prazos em décadas e compra empresas anos antes de o mercado concordar.
FonteDeclarações 13F à SEC (EUA)Posições em 30 de jun. de 2026
O +9,4% acima é o que estes pesos teriam feito em 12 meses. Não é o retorno de Baillie Gifford.
A Baillie Gifford é uma sociedade de investimentos escocesa fundada em 1908, conhecida por entrar cedo em empresas de crescimento e ficar muito tempo. Estas são as posições listadas do relatório mais recente.
A Baillie Gifford é uma sociedade de sócios, não uma empresa listada, e diz abertamente que aí está o ponto. Como não tem acionistas externos a quem prestar contas a cada trimestre, consegue manter uma posição por anos mesmo com o mercado discordando. Os casos mais citados dela, apostas iniciais em empresas que levaram uma década para serem compreendidas, só existem porque ninguém a obrigou a vender no terceiro ano.
O método dela se parece mais com capital de risco do que com escolher ações. A pergunta não é se uma empresa está barata, e sim se ela pode ficar várias vezes maior. A firma aceita que a maioria das teses não vai funcionar, em troca das poucas que multiplicam. Por isso também tem empresas que não são listadas em bolsa, algo incomum numa gestora desse tamanho.
A América Latina entra nesta carteira como tudo o mais entra: como empresas específicas, não como cota regional. O MercadoLibre está há anos entre as maiores posições, mantido através de toda a volatilidade que veio junto. Para o leitor da região isso diz mais que qualquer peso por país: uma firma que pensa em décadas decidiu que uma empresa daqui pertencia ao mesmo grupo dos grandes nomes globais dela.
As posições vêm do formulário 13F que a gestora entrega à SEC a cada trimestre. Ele cobre apenas posições compradas em ações listadas nos Estados Unidos. O que a Baillie Gifford tem em outras bolsas, e as empresas fechadas que possui, não aparece nesse formulário.
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